quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Análise da imagem segundo Gilbert Durand


Sadako – A imagem mostra uma personagem do filme de terror japonês “Ringu”.

A personagem de cabelos longos e pretos, usa um vestido branco, e o seu rosto não aparece, assim como os olhos que são totalmente escuros.
Segundo o professor francês, Gilbert Durand, cita no livro, As Estruturas Antropológicas do Imaginário, “ a cabeleira não se liga a água por ser feminina, mas pelo suporte fisiológico que é o sangue. O sangue é temível porque é senhor da vida e da morte e porque na sua feminilidade é o primeiro relógio humano, o primeiro sinal humano correlativo ao drama lunar".
Os fios negros do cabelo da personagem, caracterizam a morte que puxa para baixo, as profundezas o inferno, conforme Durand, “O fio é a potência mágica e nefasta da aranha, do polvo e da mulher fatal, feiticeira”.
Sadako, é uma personagem que leva quem a vê, para morte, o fato de ser uma jovem menina, é mais uma relação com as teorias de Durand, na qual ele diz:
“A eufemização da imaginação é um processo que todos os antropólogos notaram e cujo caso extremo é a antifrase na qual uma representação é enfraquecida disfarçando-se com o nome ou atributo contrário. A própria palavra 'morte' é substituída por inúmeros eufemismos, e longe de serem sempre feias, as divindades da morte transformam-se em belas e sedutoras jovens: filhas de Mara, sedutoras dançaras”.
Os olhos negros da personagem indicam cegueira e ao mesmo tempo pecado, angústia, revolta e julgamento. É Sadako quem escolhe suas vítimas. Segundo Duran, a cegueira significa a falta da razão, “ Por este motivo nas lendas ou fantasias da imaginação, o inconsciente é sempre representado sob um aspecto tenebroso, vesgo ou cego”.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mais uma fraude envolvendo DETRAN em governo do PSDB

saiu no estadão

Esquema desvia R$ 40 milhões do Detran de SP


Serra faria aliança com Arruda para 2010,
mas parece que haverá uma mudança de planos Crédito: Lula Marques/folhaimagem



"A fraude principal seria o superfaturamento de até 200% da medição dos serviços contratados. Ela envolveria centenas de Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans) de São Paulo - o Estado tem 344. O esquema era simples. As Ciretrans enviavam todo mês ao Detran um documento atestando que a empresa emplacara mais carros do que havia efetuado. O atual diretor do Detran, Carlos José Paschoal de Toledo, suspendeu os pagamentos nos últimos três meses e constatou que as empresas deviam receber só um terço do que pleiteavam. Passou a pagar só o que devia".

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A violência esquecida

A costureira Nilza, 59 anos, passou os últimos anos sofrendo violência dentro de casa, eram constantes as ameaças e os espancamentos por motivos banais. Por se negar a dar a quantia que lhe era pedida para comprar crack, por quatro vezes, se viu refém de uma pessoa que tanto ama. Isso não seria estranho se fosse o agressor seu companheiro, entretanto essa história é com seu próprio filho, o caçula de três irmãos que ela colocou no mundo.

Sem conseguir interná-lo numa clinica só viu uma alternativa: denunciar o filho à justiça utilizando a Lei Maria da Penha. Em uma audiência em abril deste ano, o filho Wagner foi tratado tal como um marido violento, a primeira medida foi a de que deveria se manter a pelo menos 100 metros longe de sua mãe. A segunda foi encaminhá-lo a um grupo de auto-ajuda, os Narcóticos Anônimos. Entretanto Wagner não cumpriu o acordo de se manter longe da residência de Nilza e foi preso.


Nilza foi encaminhada ao Amor Exigente (AE), um grupo de apoio que trabalha com famílias de dependentes químicos. A partir de então, a costureira vem encontrando forças para viver. Segundo a Coordenadora do AE, Arlete Colvara Lugo, após a implementação da Lei Maria da Penha, agressores passaram a frequentar o grupo com mandado do juiz, onde devem cumprir de 10 a 20 encontros semanais.


Porém, na prática isto é diferente, Arlete não tem controle sobre os agressores e sim sobre o grupo em geral, pois coordena apenas cinco dos diversos grupos espalhados por Porto Alegre, facilitando com que estes agressores frequentem um a cada dia para fechar a pena determinada e levar o carimbo a juíza.


Para Nilza, a Lei Maria da Penha foi a única solução que encontrou para se livrar das ameaças e agressões do filho. Há dois meses morando sozinha nos mostra em sua face à tristeza de ter perdido seu filho para as drogas e ter se tornado mais uma entre tantas nas estatísticas de mulheres agredidas.


Diferentemente de Nilza, onde a lei foi cumprida corretamente, no caso de Jéssica, ocorreram falhas. Ela sofreu agressões do ex-marido e resolveu entrar com um pedido de Medida Protetiva, porém, segundo Jéssica, ele continuava livre para fazer as agressões. Proibido de se aproximar dela, o agressor não respeitou a ordem estabelecida pelo juiz, chegando a entrar na casa da ex-parceira para agredi-la, “como eu já estava segura com a Medida Protetiva, chamei a brigada para pegar ele, só que levou mais de meia hora para eles chegarem e quando a brigada chegou ele já não estava mais lá. Eu levei eles até onde ele estava e eles disseram que não podiam levá-lo, disseram que na Medida Protetiva ele tem que estar no local ou próximo do local,” relata. Ela ainda afirma que não se sente segura, “a Medida Protetiva não resolve muito”.


O tenente da brigada militar André Buss de Vargas diz que muitas vezes os policiais já estão habituados em atender determinado domicílio, “com o tempo os policiais ao serem despachados para comparecerem em determinados endereços, chegam até a comentar pelo rádio: “só pode ser na casa do fulano”. Assim como os vizinhos, os policiais acabam conhecendo as características dos casais brigões, já sabendo até se é por traição, bebida, abstinência por drogas ou etc”.


A delegada Nadine Tagliari, da delegacia da Mulher em Porto Alegre, revela que há uma falha entre o momento em que a vítima depõe na delegacia e o momento em que ela é recebida numa audiência, “ isso demora dias, as vezes até meses, e ela muitas vezes é economicamente dependente do marido, tem filhos para criar e acaba na própria audiência se retratando, desistindo do procedimento e volta para a casa e tudo continua igual” .


Segundo o promotor Gerson Moreira, a dificuldade está em conseguir provar a agressão. Ele afirma que a suspensão condicional do processo e proibição da transação penal, que é o acordo feito entre o infrator e o Ministério Público, gera um problema grave que vai contra a mulher que é vítima da agressão. “ O acusado não tem que provar nada, não se inverteu o ônus da prova. O ônus de provar é do Estado, ou seja, é o Ministério Público que tem que provar que aquela pessoa foi agredida, ou que foi ameaçada”. Para ele, as mulheres agredidas, muitas vezes, são dependentes financeiras do marido agressor e acabam desistindo da queixa, “as entidades e ONGs em defesa da mulher sustentam que a mulher não pode desistir da ação. O que nós temos visto na prática, é a mulher chegar na audiência e contar uma história absolutamente divorciada daquilo que ela registrou na fase inicial. Um dos principais fatores é a reconciliação, então o sujeito termina sendo absolvido por falta de provas”, comenta.


De acordo com a advogada e coordenadora da ONG Themis, Rubia Abs da Cruz, a lei é completa, mas precisa, especialmente, de políticas públicas para se tornar realmente eficaz. “O que efetivamente mudou na lei foi a medida protetiva de urgência, o que era o principal fator de elaboração da lei. Também ter possibilidade de uma defensora pública para a mulher, o que antes era para o agressor”, reitera.


Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Avon/IBOPE, Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil, feita em fevereiro de 2009, aponta que 56% dos brasileiros, consideram que a mulher não pode confiar na proteção jurídica e policial que existe no país para não ser vítima da violência doméstica. A pesquisa também mostra que para 51% a prisão do agressor é mais eficiente, enquanto que 11% defendem a participação em grupos de reeducação como melhor medida jurídica.


O que pensam as ONGs a respeito da lei


Para a advogada da ONG Maria Mulher, Letícia Lemos da Silva, a Lei Maria da Penha trouxe uma idéia de que todos os homens que cometessem violência seriam presos. “Isso é o entendimento que temos de maneira leiga. Porém isso não acontece na realidade, até porque a agressão corporal tem uma pena mínima que não leva a prisão, a determinação da prisão só acontece se a pessoa descumprir a segregação que o juiz determina ou se for pega em flagrante”. De acordo com Letícia, o juizado não está implantando devidamente a lei, a impressão que dá é que nada mais acontece. “Então o que o movimento de mulheres está fazendo hoje, é aclamando pela real implementação da lei que ainda tem muita coisa a ser arrumada”.


Conforme a secretária executiva da Rede Feminista de Saúde, Telia Negrão, a Lei Maria da Penha trata aspectos cíveis da vida e criminais. A lei deixou a justiça completamente perdida em relação a como implementá-la. O poder judiciário sempre negou as mulheres um papel de cidadã, de direito e está sendo obrigado a ver isso. Portanto, essa lei está produzindo um novo paradigma do ponto de vista jurídico. Também produziu a necessidade de criação de redes de apoio, “e esse é um grande nó porque ninguém quer tratar sobre violência. Estamos trabalhando para fazer a interface da saúde com a Lei Maria da Penha, para que de fato funcione e dê suporte necessário para as mulheres”. Telia ressalva que a lei possa ainda exercer um direito de punir quem comete a violência, e, também, podendo haver uma reparação e uma atenção de cuidados a sua saúde física, psíquica e sexual.


Reportagem para o curso de jornalismo da universidade Metodista do Sul - IPA
Disciplina de Jornalismo Investigativo

Zé Burns* lança obra e faz festa antes de concluir licitação

Da revista Voto com informações da Folha
Potencial candidato à Presidência, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), lançou ontem - numa solenidade com direito a banda de música e exibição de vídeo - uma obra antes mesmo que sua licitação estivesse concluída.

De um palanque no Parque São Lucas, Serra anunciou o prolongamento do metrô entre Vila Prudente e Cidade Tiradentes, com implantação de monotrilho, por 23,8 km.
A concorrência internacional, no entanto, foi aberta no dia 30 de outubro. O edital ficará disponível para interessados até o dia 21. O projeto - de R$ 2,8 bilhões - inclui a compra de 54 trens.

Ontem, Serra assinou a ordem de serviço para obras civis da primeira das três fases do projeto, um trecho de 2,4 km entre Vila Prudente e Oratório.
Para iniciar a obra mesmo sem licitação específica para monotrilho, o governo se valeu de uma licitação antiga, destinada à extensão do metrô até Oratório.
Em nota, a assessoria do Metrô afirmou que o traçado original da Linha 2 já previa a ligação até Oratório e “estudos mais recentes indicaram a possibilidade de alterar o projeto original - de metrô convencional para metrô leve/monotrilho”.

Pelo projeto, os trens percorrerão uma via elevada. Em discurso, Serra disse que “houve uma adaptação” do projeto. “Como não tem que cavar túnel, acredito que essa obra será mais breve.”

Serra se referiu duas vezes a São Lucas como Ipiranga. Corrigido, justificou: “É juntinho. Antigamente, era a mesma região”.
O governador disse ainda que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) deverá inaugurar a obra, em 2012. Questionado sobre sua presença, Serra disse que “só Deus sabe” se estará lá como governador.

* ver o desenho animado "Os Simpsons"

Democratização e monopólio na concessão de televisão no RS é tema de audiência pública

Saiu no site do MPF

A prática de monopólio nas concessões de rádio e televisão por parte da Rede Brasil Sul (Grupo RBS), no Rio Grande do Sul, é tema de audiência pública que será provomida pelo Ministério Público Federal (MPF) em Canoas, na próxima quarta-feira. Convocada pelo procurador da República do município, Pedro Antônio Roso, a audiência atende a um pedido de providências formulado pelo Conselho Regional de Radiofusão Comunitária. (CONRAD).

Leia mais no site do MPF